segunda-feira, 17 de agosto de 2009

MONOGRAFIA - A CONTRIBUIÇÃO DO LÚDICO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM - Professor José Antonio Rodrigues.


RESUMO

A educação é uma tarefa contínua que extrapola o espaço e o tempo escolar, ou seja, ela não está limitada à pratica exercida na escola e na sala de aula. Educar é uma ação de dentro para fora e como tal deve ser vista e compreendida como algo prazeroso. No entanto, podemos perceber as diferenças entre o mundo real e o ideal da vida escolar. A realidade escolar se apresenta na maioria das vezes como uma tortura, um sacrifício tanto para quem “ensina” quanto pra quem aprende. O tempo e o espaço escolar que no início é contagiante, aos poucos vai perdendo o encanto e deixa de ser atrativo. Apresentar a importância do lúdico no processo ensino-aprendizagem é a intenção deste trabalho; propor o lúdico como ferramenta alternativa na prática pedagógica, relatar e ilustrar algumas experiências de práticas lúdicas através de jogos cooperativos e competitivos.

Palavras-chave: Educação, ensino, aprendizagem, tempo e espaço escolar, escola, aprendiz, lúdico, jogos, cooperação, competição.

SUMMARY
The education is a continuing task that oversteps the space and the school time, it means that, she is not limited to the practices exercised at school and in the classroom. Educate is an action inside out and as such should be seen and understood like something pleasurable. However, we are able to realize the differences between the real world and the ideal of the school life. The school reality is presented usually as a torture, a sacrifice as much for those who "teaches" as for those who learn. Time and school space that at the beginning is contagious, gradually is losing the charm and leaves of being attractive. It presents the importance of the playful one in the trial teach-learning is the intention of this work; it proposes the playful one as alternative tool in the practical pedagogical one, relate and illustrate some experiences of playful practices through competitive and cooperative games.


Key Words: Education, teaching, learning, time and school space, school, knowledge, playful, games, cooperation, competition.


INTRODUÇÃO
Educar é uma ação de dentro para fora. É um processo que vai além de oferecer conhecimento, é extrair o que de melhor existe dentro das pessoas.
Na antiguidade os gregos viam o processo de aprendizagem como algo que vinha da brincadeira. A palavra que definia a educação era paidéia, quase idêntica ao termo usado para brincar paidia. Para Platão, a vida deve ser vivida como uma brincadeira.
“Extrair de dentro” o que a pessoa tem de melhor era o método utilizado por Sócrates. Os termos ironia e maiêutica definiam a sua ação de “ensinar”.
A filosofia é uma disciplina que envolve a investigação, análise, discussão, formação e reflexão de idéias (ou visões de mundo) a um nível geral, abstrato ou fundamental. Falar sobre filosofia e educação hoje exige um voltar-se para a questão conhecimento e refletir sobre os seus objetivos.
Devemos nos questionar sobre os objetivos da educação e da filosofia. Propor e praticar uma educação que supere a mera transmissão de conteúdo, romper com as teorias que apenas reforçam as ideologias dominantes.

A filosofia surge num contexto em que os gregos propunham uma ruptura entre mito e razão. Na atualidade, a escola precisa superar a educação que visa preparar mão-de-obra para abastecer o mercado de trabalho.
O espaço e tempo escolar são onde se dão as conflituosas relações entre a ação de ensinar e aprender. Nossas escolas do ponto de vista físico estão em estado de depreciação, o ambiente escolar pouco atrativo não consegue atrair os alunos para uma aprendizagem prazerosa. A proposta deste trabalho e refletir sobre a importância de uma prática pedagógica que privilegie o lúdico como alternativa possível para a contribuição de um melhor aprendizado.

No primeiro capítulo abordaremos sobre os conceitos educação e lúdico.

No segundo capítulo, faremos uma breve exposição sobre a importância do lúdico no processo ensino-aprendizagem com base em alguns autores, desde os gregos antigos até a atualidade.

No terceiro capítulo apresentaremos um relato de experiências e práticas lúdicas através de textos explicativos e ilustrações das respectivas atividades realizadas.


CAPÍTULO I


1. EDUCAÇÃO E FILOSOFIA

1.1 O conceito de educação
A palavra educação vem do latim educcere, que significa “tirar de dentro, extrair”. Educar vai além de oferecer conhecimento, significa também, extrair o que de melhor existe dentro das pessoas.(http://www.jogodacidadania.com.br- pesquisado em 06/08/06).

Para os antigos gregos, a aprendizagem vinha da brincadeira. A palavra que definia a educação era paidéia, quase idêntica ao termo usado para brincar paidia. Para Platão, a vida deve ser vivida como uma brincadeira. Dizia: “Se você brincar, estará aprendendo e vivendo. (Roger Von Oech, Um Toc na cuca – página 110)”.

“Extrair de dentro” o que a pessoa tem de melhor era o método utilizado por Sócrates. Em seu método, as perguntas têm um duplo caráter: ironia e maiêutica. Na ironia, confunde o conhecimento sensível e dogmático. Na maiêutica, dá à luz um novo conhecimento, um aprofundamento, sem, contudo, chegar ao conhecimento absoluto. Portanto, educar é uma ação de dentro pra fora, é extrair e não introduzir conteúdos.

1.2 A filosofia e a educação.
Filosofia vem do grego Φιλοσοφία: philia - amor, amizade + sophia – sabedoria. Etmologicamente falando, filosofia significa amor ou amizade à sabedoria. A filosofia é uma disciplina, ou uma área de estudos, que envolve a investigação, análise, discussão, formação e reflexão de idéias (ou visões de mundo) a um nível geral, abstrato ou fundamental. Originou-se da inquietação gerada pela curiosidade humana em compreender e questionar os valores e as interpretações comumente aceitas sobre a sua própria realidade.(http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia- pesquisado em 06/08/06).

Falar sobre filosofia e educação hoje exige um voltar-se para a questão conhecimento. É preciso refletir sobre o objetivo do mesmo tanto em educação quanto em filosofia. Quais são os objetivos da educação e da filosofia? Segundo Bertrand Russell, a filosofia visa a busca do conhecimento.
A filosofia, como todos os outros estudos, visa em primeiro lugar ao conhecimento. O conhecimento a que ela aspira é o tipo de conhecimento que dá unidade e sistematiza o corpo das ciências, e que resulta de um exame crítico dos fundamentos de nossas convicções, preconceitos e crenças. (Bertrand Russell. Os problemas da filosofia ) - http://uol.com.br/licaodecasa/materias/medio/filosofia. pesquisado em 08/04/07).


Os gregos ao inaugurarem a passagem do conhecimento mitológico para o conhecimento racional, de certa forma “romperam” com uma tradição e modo de ver e pensar o universo, o mundo, a existência, a vida.

O que tem feito a educação em nossos tempos? Será que não nos limitamos apenas a repetir uma visão de mundo? A educação realmente possibilita uma nova visão ou se limita a reforçar a ideologia dominante de nosso tempo?

Seguindo a ordem cronológica da história da filosofia, os pré-socráticos surgem como os primeiros indagadores da ordem vigente. Como conseguiram interferir na ordem estabelecida e propor uma nova visão de mundo?

Podemos dizer que os pré-socráticos foram homens ousados, desafiaram um mundo construído a partir de conceitos e crenças fortemente arraigados em mitos. Tais mitos tinham como fonte inspiradora os deuses. Para os gregos, o mundo se resumia no seu mundo, ou seja, no mundo de seu país que para eles era o centro da terra e o seu ponto central era o Monte Olimpo, a residência dos deuses. (O livro de outro da mitologia pg. 6).

Alterar tal ordem não deve ter sido tão simples, deuses e deusas comandavam os destino do homem e da natureza. E foi justamente a partir da natureza que os gregos criaram uma nova visão de mundo. O mundo não era algo pronto e acabado como pensavam os gregos, mas algo em contínua transformação. As mudanças das estações não estavam sujeitas à vontade dos deuses, mas sim de um movimento natural tendo como base os quatro elementos. A terra, o fogo, a água e o ar. No momento em que o planeta terra vive sob os riscos causados pelo aquecimento global, os elementos básicos da natureza precisam ser respeitados urgentemente, pois é uma questão de sobrevivência das espécies como nos apontam as mais recentes informações sobre o aquecimento global.

“Apresentado no dia 2 de fevereiro de 2007, em Paris, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) mais confirmou hipóteses do que revelou surpresas”.

Há 90% de certeza de que o aquecimento global é causado pelas atividades humanas, que seus efeitos no clima já começaram e que continuarão pelos próximos séculos, ainda que haja um corte nas reduções dos chamados gases estufa, que provocam o efeito conhecido pelo mesmo nome.
O relatório, porém, traz dados mais consistentes e realistas que o da última versão, datada de 2001, pois os modelos de análise do clima foram bastante aprimorados nesses últimos anos. Com isso, uma questão particularmente preocupante para o Brasil tornou-se evidente: a dos extremos climáticos, que se caracterizam por pancadas de chuva violentas alternadas por longas secas, ondas de calor e furacões “. (Anotnio Carlos Olivieri)”.
(http://vestibular.uol.com.br/atualidades/ult1685u281.jhtm - pesquisado em 09/07/2207).

Será que a preocupação dos gregos ao romper com a visão mitológica já pré-anunciavam essa previsão catastrófica que ameaça a vida no planeta terra? Qual a função da educação e da filosofia hoje?

Filosofia, filosofia
Filo amigo, Sofia sabedoria
Por que estudar essa tal de filosofia?
Pra ser amigo, pra ser amante!
Amigo e amante do saber e da sabedoria.
Foram os gregos, os pré-socráticos
Que inventaram o termo cosmologia.
Cosmo é o mundo, Loggia estudo.
Pra desvendar o mundo da mitologia.
Indagação, indagação
Eles fizeram utilizando a razão.
Pra explicar racionalmente
O mundo dos mitos e da imaginação.
Nos elementos da natureza
Eles buscavam toda explicação.
E dos fenômenos e aparências
Foram além do que percebe a visão.
(versos rimados sobre os pré-socráticos - aula sobre os pré-socráticos – Professor José Antonio)

Depois dos filósofos pré-socráticos, o pensamento do filósofo grego Sócrates (469-399 a.C.) marca uma reviravolta na história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. A preocupação de Sócrates era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.

Pensadores como os sofistas, os educadores profissionais da época, igualmente se voltavam para o homem, mas com um objetivo mais imediato: formar as elites dirigentes. Isso significava transmitir aos jovens um saber enciclopédico e desenvolver sua eloqüência, que era a principal habilidade esperada de um político.

Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das idéias, deu a este status de realidade; e a outra é a realista, partindo de Aristóteles (384-332 a.C.), discípulo de Platão que submeteu as idéias, às quais se chega pelo espírito, ao mundo real.
O diálogo era utilizado por Sócrates como estratégia de ensino. Nas palavras atribuídas a Sócrates por Platão na obra Apologia de Sócrates, o filósofo ateniense considerava sua missão “andar por aí (ruas, praças e ginásios, as escolas atenienses de atletismo), persuadindo novos e velhos a não se preocuparem tanto, nem em primeiro lugar, com o corpo ou com a fortuna, mas antes com a perfeição da alma”.

Defensor do diálogo como método de educação, Sócrates considerava muito importante o contato direto com os interlocutores. Suas idéias foram recolhidas principalmente por Platão, que as sistematizou, e por outros filósofos que conviveram com ele. Sua função de “ensinar” era comparada com a profissão de sua mãe, parteira – que não dá à luz a criança, apenas auxilia a parturiente.

O processo de formar o indivíduo para ser cidadão e sábio devia começar pela educação do corpo, que permite controlar o físico. Já para a educação do espírito, Sócrates colocava em segundo plano os estudos científicos, por considerar que se baseavam em princípios mutáveis. Inspirado no aforismo “conhece-te a ti mesmo”, do templo de Delfos, julgava mais importantes os princípios universais, porque seriam eles que conduziriam à investigação das coisas humanas.

Opondo-se ao relativismo de muitos sofistas, para os quais a verdade e a prática da virtude dependiam de circunstâncias, Sócrates valorizava acima de tudo a verdade e as virtudes – fossem elas individuais, como a coragem e a temperança, ou sociais, como a cooperação e a amizade. O pensador afirmava, no entanto, que só o conhecimento (ou seja, o saber, e não simples informações) leva à prática da virtude em si, que é una e indivisível.

Segundo Sócrates, só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana, dizia, introduzindo na história do pensamento a discussão sobre a finalidade da vida.

O papel do mestre é, então, o de ajudar o educando a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio “iluminar” sua inteligência e sua consciência.
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca de idéias dá liberdade ao pensamento e à sua expressão – condições imprescindíveis para o aperfeiçoamento do ser humano. (www.escolanova.com.br).

Aristóteles (384-322 a.C.) foi o filósofo que mais influenciou a civilização ocidental. Foi ele o fundador da ciência que ficaria conhecida como lógica e suas conclusões nessa área não tiveram contestação alguma até o século 17. Sua importância no campo da educação também é grande, mas de modo indireto.

"Em suas reflexões sobre ética, Aristóteles afirma que o propósito da vida humana é a obtenção do que ele chama de vida boa. Isso significava ao mesmo tempo vida 'do bem' e vida harmoniosa”. Ou seja, para Aristóteles, ser feliz e ser útil à comunidade eram dois objetivos sobrepostos, e ambos estavam presentes na atividade pública. O melhor governo, dizia ele, seria "aquele em que cada um melhor encontra o que necessita para ser feliz".
"A educação, para Aristóteles, é um caminho para a vida pública". Cabe à educação a formação do caráter do aluno. Perseguir a virtude significaria, em todas as atitudes, buscar o "justo meio". A prudência e a sensatez se encontrariam no meio -termo, ou medida justa - "o que não é demais nem muito pouco", nas palavras do filósofo. ( Grandes Pensadores; www.novaescola.com.br – 06/12/06).

Platão (427-347 a.C.) foi o primeiro pedagogo, não só por ter concebido um sistema educacional para o seu tempo, mas, principalmente, por tê-lo integrado a uma dimensão ética e política. O objetivo final da educação, para o filósofo, era a formação do homem moral, vivendo em um Estado justo.

Como Sócrates, Platão rejeitava a educação que se praticava na Grécia em sua época e que estava a cargo dos sofistas, incumbidos de transmitir conhecimentos técnicos, sobretudo a oratória, aos jovens da elite para torná-los aptos a ocupar as funções públicas. "Os sofistas afirmavam que podiam defender igualmente teses contrárias, dependendo dos interesses em jogo".

"Platão, ao contrário, pensava em termos de uma busca continuada da virtude, da justiça e da verdade”.

Para Platão, "toda virtude é conhecimento". Ao homem virtuoso, segundo ele, é dado conhecer o bem e o belo. A busca da virtude deve prosseguir pela vida inteira — portanto, a educação não pode se restringir aos anos de juventude. Educar é tão importante para uma ordem política baseada na justiça — como Platão preconizava — que deveria ser tarefa de toda a sociedade.
Platão defendia a idéia de que o Estado deveria garantir educação pra todos. O filósofo via no sistema democrático que vigorava na Atenas de seu tempo uma estrutura que dava poder a pessoas despreparadas para governar. Ao contrário de Sócrates, que considerava "o mais sábio e o mais justo dos homens", Platão convenceu-se, de uma vez por todas, de que a democracia precisava ser substituída. Para ele, o poder deveria ser exercido por uma espécie de aristocracia, mas não constituída pelos mais ricos ou por uma nobreza hereditária. Os governantes tinham de ser definidos pela sabedoria. Os reis deveriam ser filósofos e vice-versa. "Como pode uma sociedade ser salva, ou ser forte, se não tiver à frente seus homens mais sábios?". Platão defendia a sofocracia. . ( Grandes Pensadores; www.novaescola.com.br – pesquisado em 06/12/06)

1.3 A filosofia e a educação hoje.
Na atualidade, contrariando a idéia relativista e utilitarista de que ensinar e estudar filosofia é coisa inútil, constata-se cada vez mais a importância desta disciplina bem como sua grande contribuição no processo educativo. A função da educação e da filosofia é Ensinar a Pensar como bem enfatiza o professor Valdocir Antonio Esquinsani.

Segundo Esquinsani é preciso que se faça um resgate do pensar, só assim romperemos com uma visão sistemática e escolarizada. Visão essa que não vê a filosofia como um potencial para o desenvolvimento da reflexão e do pensar. Em seu artigo, o autor faz uma crítica ao utilitarismo, ao pragmatismo e ao imediatismo presentes na educação. O autor faz críticas aos conteúdos hierarquizados e dá especial atenção à necessidade de um programa de filosofia que enfatize a importância da leitura. Nessa perspectiva, a filosofia e a educação têm a função de despertar a formação de juízos de valores. Assim sendo, o papel da escola e do professor é o de mediatizar e o aluno passa a ser o ator principal e não um mero coadjuvante no processo educativo. (Jornal Mundo Jovem / PUCRS, Fev/2001. pg 19).

A ideologia vigente se preocupa mais em formar indivíduos que se adaptem e se acomodem às estruturas do mundo tecnológico e competitivo, a filosofia quer construir indivíduos mais críticos, conscientes e melhor preparados para os desafios da vida.

Na era da tecnologia, o termo educação confunde-se com a preparação de mão-de-obra para o mercado. Em seu artigo “Não somos mais os mesmos depois da Internet” Luciano Sathler afirma: “A Internet não é o futuro. É apenas o princípio, o início de uma profunda mudança na forma como as pessoas se relacionam entre si e com o restante do mundo. Toda transformação encontra resistências, especialmente quem não vivenciou a nova realidade na infância. Essa é uma das razões pelas quais os adultos têm dificuldade para entender como adolescentes podem gastar tanto tempo com videogames ou em frente a uma tela de computador”. (Luciano Sathler, Vice-Presidente para a América Latina da World association for Christian comunication, Doutorando em administração na USP e docente na Universidade Metodista de São Paulo). (Jornal Mundo Jovem – setembro 2005).

Em seu artigo o autor lembra que num tempo saturado pela informação, é vital nos educarmos para aprender a enfrentar a nova realidade. Educar hoje significa estar mais preparado para um diálogo entre as gerações.

Na pirâmide de processamento da informação a seguir, o autor fala da diferença entre dados de informação, conhecimento e sabedoria.


SABEDORIA
Síntese dos conhecimentos submetidos a valores éticos


CONHECIMENTO
Informações avaliadas e tornadas úteis em processos futuros


INFORMAÇÃO
Dados processados e exibidos em forma inteligível

DADOS
Textos, imagens e sons.

No processo educativo nos deparamos com muitas contradições. A realidade escolar na maioria dos casos sequer consegue ultrapassar o nível dos dados e da informação. Nos deparamos então com interrogações que nos angustiam.

Tirar de dentro o que de melhor tem o aprendiz ou introduzir conteúdos que depois serão exigidos ao classificar uns poucos e eliminar muitos do processo educativo? Preparar cidadãos com conhecimento e sabedoria ou preparar mão de obra para o mercado de trabalho?

A tarefa do professor no processo educativo é como a do mágico de o Mundo de Sofia. Tirar de dentro da cartola coisas que nos encantem e nos surpreendam. Por falar em coisas surpreendentes, gostaria de reportar-me aos primeiros anos escolares de minha vida escolar. Nos idos anos da década de 1970, quando iniciávamos o ano letivo, a escola era algo realmente surpreendente, o espaço escolar era apenas uma sala de aula, mas trazia uma magia que nos encantava. A professora era única, os amigos de escola também, mas o espaço e o tempo escolar tinha o poder de nos encantar. O cheiro do livro novo, da borracha, o caderno novo, o lápis, a caneta, tudo pareciam ser tirados de um mundo mágico e trazidos para a realidade.

Hoje, talvez a escola e os professores já não mais nos surpreendam, tudo se tornou tão monótono e não mais conseguimos encantar. O show perdeu a graça, é apenas um truque falso, já sabemos o segredo e isso não nos desperta mais interesse. Aqui nos deparamos com questões cruciais que nos remetem às questões sobre a função da educação hoje.

As respostas para estas questões e tantas outras, podem ser buscadas através de observações no dia a dia da sala de aula. È na sala de aula que podemos constatar problemas diversos como; desinteresse indisciplina, dificuldades na aprendizagem, dificuldades no ensinar, repetência, evasão, carência de recursos e tantos outros problemas que acabam levando os aprendizes ao desestímulo. No processo educativo, somos aprendizes porque a relação que se estabelece dentro e fora da sala de aula, deve ser uma relação de troca, onde um aprende com o outro.

Os modelos educacionais sempre estiveram a serviço das ideologias dominantes nos respectivos períodos de nossa história, e por conta dessas ideologias, a educação acaba priorizando os conteúdos. A educação sempre acabou por seguir as exigências de uma sociedade tecnológica, que exige um homem cada vez mais capaz de responder ao mercado de trabalho, onde a competitividade é a realidade, e o que se espera é a formação de mão de obra produtiva para abastecer o mercado que produz para consumir e gerar mais lucros.

Rubem Alves no artigo intitulado “Quero um escola retrógrada” compara nossas escolas com as linhas de montagem onde o professor tem a função técnica-científica de transmissores de saberes-habilidade e os alunos aparecem como objetos manipulados que no final da linha de produção estarão aptos para abastecer o mercado.

“Nossas escolas são construídas segundo o modelo das linhas de montagem. Escolas são fábricas organizadas para a produção de unidades bio-psicológicas móveis portadoras de conhecimentos e habilidades. Esses conhecimentos e habilidades são definidos exteriormente por agências governamentais a que se conferiu autoridade para isso. Os modelos estabelecidos por tais agências são obrigatórios, e têm a força de leis. Unidades bio-psicológicas móveis que, ao final do processo, não estejam de acordo com tais modelos são descartadas. É a sua igualdade que atesta a qualidade do processo. Não havendo passado no teste de qualidade-igualdade, elas não recebem os certificados de excelência ISO-12.000, vulgarmente denominados diplomas. As unidades bio-psicológicas móveis são aquilo que vulgarmente recebe o nome de ‘alunos’”. (Rubem Alves, a escola da ponte)

Para Rubem Alves, o tempo e o espaço escolar, são coisas preciosas e por isso não podem nem devem estar sujeitas à manipulação de uma ideologia que impõe seus interesses. Mas por conta de um sistema que não valoriza suficientemente a educação, o tempo escolar acaba sendo um tempo de sacrifício e sofrimento para educadores e educandos. A escola por sua vez fica a desejar em muitos aspectos. A maioria de nossas escolas são inadequadas, salas insuficientes, equipamentos obsoletos, não há espaço para práticas educativas mais criativas. Permanecer por muito tempo num espaço pouco agradável é realmente um grande desafio. Ao observar e descrever o espaço e o tempo escolar, Rubem assim descreve a escola.

As linhas de montagem denominadas escolas se organizam segundo coordenadas espaciais e temporais. As coordenadas espaciais se denominam ‘salas de aula’. As coordenadas temporais se denominam ‘anos’ ou ‘séries’. Dentro dessas unidades espaço-tempo os professores realizam o processo técnico-científico de acrescentar sobre os alunos os saberes-habilidade que, juntos, irão compor o objeto final. Depois de passar por esse processo de acréscimos sucessivos - à semelhança do que acontece com os objetos originais na linha de montagem da fábrica - o objeto original que entrou na linha de montagem chamada escola (naquele momento ele chamava ‘criança’) perdeu totalmente a visibilidade e se revela, então, como um simples suporte para os saberes-habilidade que a ele foram acrescentados durante o processo. A criança está, finalmente, formada, isso é, transformada num produto igual a milhares de outros. ISO-12.000: está formada, isto é, de acordo com a forma. É mercadoria espiritual que pode entrar no mercado de trabalho. . (Rubem Alves, a escola da ponte).

Algumas breves observações sobre a educação nos permitem perceber que problemas como indisciplina, desinteresse, repetência, dependência e tantos outros, estão associados à péssima qualidade do sistema educacional e ao investimento que se faz sobre a educação. No final do ano letivo já se tornou comum vermos professores angustiados, alunos desesperados, diretores indecisos sobre o que fazer com os mais graves problemas. Na dúvida, aplica-se a regra, ou a lei. Desaprova-se, deixa em dependência. Porque não resolver esses problemas ao longo do ano letivo? Os dados do último censo do IBGE apontam que embora tenha diminuído a defasagem escolar, esta ainda é muito alta comparada aos padrões internacionais.

Um alto índice de alunos que não conseguem permanecer na escola, no entanto os investimentos continuam insuficientes... Temos aí uma cadeia de problemas que se avolumam cada vez mais.
Dados do IBGE revelam na atualidade que a defasagem escolar tem diminuído no País entre 1995 e 2005, mas ainda é considerada muito elevada, se comparada aos padrões internacionais.
Segundo o IBGE, no ano de 2006, 14,4% dos jovens entre 18 e 24 anos ainda estavam cursando o ensino fundamental e 37,3%, o ensino médio. Neste período de dez anos, o número de analfabetos no País caiu para 14,9 milhões de pessoas de 15 anos ou mais. Nas áreas urbanas, a taxa de analfabetismo caiu de 11,4% para 8,4%, enquanto que nas áreas rurais a taxa passou de 32,7% para 25%.

Ainda segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo funcional - pessoas que possuem menos de quatro anos de estudos completos, de acordo com o conceito do IBGE - ficou em 23,5% em 2005. A taxa de freqüência escolar dos jovens de 15 a 17 anos ficou em 81,7% - aumento de 15% em comparação a 1995.

"Os números ainda são muito elevados, embora estejam melhorando. A gente tem um problema de qualificação no Brasil. O tempo médio na escola é muito elevado. Apenas 53% concluem a oitava série e 88,7% acabam a quarta série", ressaltou a coordenadora-chefe de indicadores sociais do IBGE, Ana Lúcia Saboya.

O IBGE destaca que a disparidade entre as regiões continua sendo muito grande. "Nossa missão de erradicar o analfabetismo no Brasil ainda é muito grande. A Coréia do Sul, que também é um país em desenvolvimento, andou mais rápido do que nós, mas eles são 55 milhões de pessoas e nós mais de 180 milhões. Lá, 98% da população é alfabetizada”. (http://educacao.terra.com.br/interna/0,,OI1310744-EI3588,00.html – pesquisado em 05/06/06)


























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